Cerca de 200 pessoas morreram no domingo, quando um depósito de armas explodiu em Brazzaville, destruindo um bairro próximo ao depósito da capital da República do Congo, segundo relatos de médicos e autoridades locais.

Outras duzentas pessoas foram feridas pela explosão que sacudiu a capital por volta das oito da manhã (horário local), destruindo casas próximas ao local e deixando uma nuvem de fumaça que podia ser vista por toda a cidade; "Vi uma pessoa com os intestinos para fora, sendo carregada para o hospital.

Ela tinha sido atingida por uma bomba," disse uma testemunha à Reuters, quando estava saindo da área da explosão. Uma igreja próxima ao local e que estava lotada de fiéis, desabou, disse uma testemunha. Cadáveres, muitos queimados ou com partes do corpo faltando, foram carregados para o necrotério principal da cidade, disse um repórter da Reuters que estava do lado de fora do prédio.

Autoridades presentes ao local disseram que já tinham contado 136 corpos até o meio da tarde. Muitos outros corpos ainda estavam espalhados pelo local da explosão, disse um soldado.

Parentes dos mortos se reuniram na frente do hospital chorando aflitos, enquanto outros vinham em busca de familiares que estavam perdidos no meio do caos. Um assessor do gabinete do presidente, Betu Bangana disse à Reuters:

"De acordo com fontes do hospital central, estamos falando de cerca de 200 mortos e muitos feridos." "Algumas pessoas ainda estão presas nas suas casas... Dizem que todo o bairro de Mpila foi destruído."

O pânico se espalhou por Kinhasa, a 4 quilômetros de distância, do Rio Congo, que separa a ex-colônia francesa da República do Congo da República Democrática do Congo. A explosão foi tão forte que quebrou janelas da cidade vizinha. Os dois governos pediram calma à população.

O ministro da Defesa da República do Congo, Charles Zacharie Bowao, rapidamente descartou qualquer boato de atentado de golpe de Estado ou motim, e disse à radio estatal que as explosões foram resultado de um incêndio no depósito de armas na base militar Regiment Blinde, perto do centro da cidade.

Moradores fugiram rapidamente de Mpila, normalmente um bairro densamente povoado, à medida que uma série de explosões menores sacudia o local, disse uma testemunha à Reuters.

Uma coluna de fumaça cinza ainda pairava sobre a cidade horas depois da explosão, quando um helicóptero militar sobrevoou a área. O repórter disse que a base e o bairro vizinho pareciam uma zona de guerra.

Muitos edifícios estavam destruídos, queimados ou muito danificados e algumas labaredas ainda podiam ser vistas entre os escombros.

A TV local entrevistou médicos dizendo que eles precisavam fazer uma triagem para decidir quem seria operado primeiro.

Ela também transmitiu um apelo para que todo o efetivo médico da cidade se apresentasse para trabalhar. Uma missa na catedral de Brazzaville a cerca de 4 km de distância foi abandonada quando o edifício começou a tremer.

A República do Congo, país produtor de petróleo, tem sofrido com golpes de estado e uma guerra civil desde a sua independência da França, em 1960.

Porém desde que o Presidente Denis Sassou-Nguesso assumiu o poder num golpe de estado em 1997, tem vivido um período relativamente pacífico.

O assessor presidencial Bangana disse que Sassou-Nguesso não foi ferido pelas explosões.